Evento sobre inovação digital reúne especialistas na sede da Fapesp

Na capital, participantes debateram o uso de ferramentas para aumentar a eficiência dos processos na área de saúde

Fonte: Governo do Estado de São Paulo

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) sediou, em 2 de outubro, o evento “Ciência e Inovação Digital em Saúde”, que reuniu especialistas para debater várias questões ligadas à tecnologia.

Um relatório recentemente divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que os gastos com saúde crescem exponencialmente em todo o mundo e já equivalem a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

Na avaliação de especialistas, a “eScience”, termo que se refere às pesquisas multidisciplinares que lidam com grandes volumes de dados ou usam métodos computacionais sofisticados, pode ser uma ferramenta para aumentar a eficiência dos processos nesse setor, reduzir gastos com insumos e melhorar a prestação de serviços.

Ciência de dados

O encontro teve o objetivo debater como a pesquisa e a inovação na ciência de dados e o desenvolvimento de novos equipamentos solucionam alguns desafios da área da saúde e contribuem para a melhoria da qualidade de vida do cidadão.

“Inovações podem, seguramente, induzir ganhos de eficiência na área de saúde e a ciência de dados terá um papel fundamental nisso”, afirmou Rudi Rocha, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), à Agência Fapesp.

Segundo o pesquisador, os gastos em saúde no mundo totalizam hoje US$ 10 trilhões e projeções apontam que, nas próximas duas décadas, devem chegar a US$ 24 trilhões. Uma das razões é o aumento da longevidade, resultante de avanços nas ciências da saúde.

Hospitais

Nas unidades de saúde, instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein já estão usando avaliações a partir de banco de dados para melhorar a eficiência de seus processos e a qualidade dos serviços prestados.

Para garantir a agilidade na assistência de pacientes em suas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), um grupo de pesquisadores do grupo de análises de big data da instituição desenvolveu um modelo para ajustar a escala médica por especialidade.

Com base no modelo, a equipe gestora tem conseguido prever a oferta e a demanda de médicos por especialidade nas UPAs da instituição com antecedência de 40 dias. “O modelo, baseado nos chamados algoritmos de staffing, voltados para ajustar a equipe médica, funciona para algumas especialidades, como pediatria e clínica geral, mas menos para outras, como cirurgia e ortopedia”, explica Edson Amaro Júnior, responsável pela área de Big Data Analytics da instituição, à Agência Fapesp.

As clínicas de bairro do hospital, inauguradas nos últimos anos e voltadas a atendimento de especialidades básicas, também passaram a contar com um serviço de agendamento de consulta por reconhecimento facial desenvolvido pela Hoobox, startup apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fapesp.

Por meio de um aplicativo chamado Neonx, o paciente faz o cadastramento biométrico para o agendamento da consulta. Na clínica há um quiosque da Hoobox, que faz o reconhecimento facial e indica para o paciente o consultório onde será feita a consulta.

“A plataforma possibilita diminuir o tempo de espera do paciente e, para os planos de saúde, que são nossos principais clientes, evitar fraudes”, afirma Paulo Gurgel Pinheiro, CEO da Hoobox, à Agência Fapesp.

Inteligência artificial

O professor João Batista Florindo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrou como estudos baseados em grandes volumes de imagens dos hospitais possibilitam desenvolver algoritmos de inteligência artificial que ajudam na identificação do câncer de pulmão. “Os algoritmos podem subsidiar os médicos na detecção precoce desse tipo de câncer extremamente letal”, salienta à Agência Fapesp.

Já no hospital A. C. Camargo Cancer Center, especialistas em bioinformática têm usado técnicas baseadas em sequenciamento genético, combinadas com dados epidemiológicos, para tentar melhorar o entendimento de tumores hereditários.

Hoje, em apenas 20% dos pacientes é possível identificar qual gene faz com que vários membros de uma família desenvolvam o mesmo tipo de tumor, de acordo com Emmanuel Dias Neto, pesquisador da instituição.

Conexão

O evento foi organizado pelos professores Claudia Bauzer Medeiros, da Unicamp, e Roberto Marcondes Cesar Junior, da Universidade de São Paulo (USP), membros da coordenação do Programa de Pesquisa em eScience e Data Science, e Fábio Kon, também da USP e integrante da coordenação do Pipe.

Um dos objetivos do programa eScience é estimular a conexão entre pesquisadores de diferentes áreas para unirem suas ideias e desenvolverem aplicações com impactos econômicos e sociais, segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fapesp.